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Shakespeare, Metal e a falta de informação da grande mídia



É impressionante como sempre que a grande mídia resolve falar sobre Heavy Metal a falta de informação e o preconceito transparecem nas reportagens. Exemplos disso não faltam e vão desde a cobertura de qualquer Rock in Rio até simples entrevistas que não duram mais que alguns minutos.

Recentemente tive outro exemplo disso. O programa “Metrópolis” da TV Cultura conduziu uma breve entrevista com a banda ANGRA a respeito de seu recém-lançado novo álbum, que leva o título de “Aqua”.  Triste ver que até mesmo em uma emissora com um nível acima das outras, pelo menos, culturalmente falando, essa falta de informação ocorre.

Ainda no estúdio, na chamada da matéria, a falta de informação já reinava absoluta. Os apresentadores Cunha Jr e Adriana Couto chamam a matéria com a banda da seguinte forma: “Agora o assunto é uma dobradinha que pode parecer esquisita: Heavy Metal e Shakespeare”. Pode parecer esquisita pra quem, Cunha Jr? Só se for pra você, que não entende nada de rock pesado. Literatura e metal caminham juntos há muito tempo, para sua informação. É muito comum encontrar músicas de heavy metal baseadas em obras literárias. Seria estranho se funk, axé, sertanejo ou qualquer outro desses estilos, estivesse ligado a essa temática.

Desde que o Heavy Metal ganhou esse nome, inúmeras bandas do estilo criaram músicas e, por vezes, álbuns inteiros baseados em livros. A lista é imensa e vai desde IRON MAIDEN com suas “To Tame A Land”, baseada no épico “Duna” de Frank Herbert e “Rime of the Ancient Mariner” baseada no poema de Samuel Taylor Coleridge, até o clássico disco “Nigthfall in the Middle-Earth” inteiramente conceituado na obra “O Silmarillion” de J.R.R. Tolkien, até a mais recente “The Odyssey” dos estadunidenses do SYMPHONY X, fundamentada na “Odisseia” de Homero. O próprio Shakespeare já foi homenageado tendo sua obra “Hamlet” completamente musicada por bandas nacionais no projeto de mesmo nome lançado pela gravadora Die Hard Records em 2002, tendo atingido um resultado deveras satisfatório.

Mas os exemplos não param por aí. Muitos outros grupos, e até esses já citados, compuseram muitas outras músicas e álbuns tendo livros como conceitos. Isso sem falar, nos casos em que a linha-guia não foi livros em si, mas a própria história e guerras da humanidade. O que mostra que o Heavy Metal é sim, um estilo com muita bagagem cultural e um dos poucos que em suas letras consegue fugir do já banalizados temas “amor, traições e afins”.

Como se a gafe da “dobradinha esquisita” já não tivesse sido suficiente, na entrevista a seguinte pergunta é feita ao guitarrista Rafael Bittencourt: “O que será que Shakespeare acharia desses solos virtuosos e tanta barulheira?”. Pera lá, solos virtuosos, tudo bem. Agora, tanta barulheira, é um pouco ofensivo, em seu Cunha? De qualquer forma, o guitarrista respondeu muito bem, leiam: “É possível que Shakespeare, como um cara inteligente que era, ia gostar muito de Heavy Metal, que é um som bastante sofisticado. Ele ia adorar, com certeza.” Parabéns Rafael!

Só nos resta saber até quando esse preconceito e falta de informação da grande mídia contra o metal irá continuar. Mas algo me diz que ainda vai durar por muito tempo. Para encerrar, deixo aqui um recado ao pessoal da TV Cultura e da mídia em geral: dobradinha esquisita de verdade é essa que, infelizmente, assola o nosso país: jornalismo e falta de informação. Sad but true.


A referida matéria do programa “Metrópolis” pode ser conferida abaixo:

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Rede Globo: Amistoso da Seleção – A gente não vê por aqui


E a seleção ontem, hein? Mesmo desentrosados os brasileiros venceram os estadunidenses, que mantiveram a base da copa, por 2 x 0. Se nosso time jogou bem, eu não tenho nem ideia, porque não assisti ao jogo. Pois infelizmente não tenho TV a cabo e nossa querida televisão aberta não transmitiu. Tudo por culpa de nossa “amada” REDE GLOBO, para variar.

Se for mais rentável para eles passar a novela, se o patrocínio é maior, se tem mais audiência, tudo bem. Os editores sabem bem o que fazem, ainda mais quando envolve dinheiro. Mas daí a não permitir que nenhuma outra emissora transmitisse o jogo, já é uma “puta falta de sacanagem”. Coisa típica do canal de Roberto Marinho, que costuma achar que manda no mundo...

Pior do que não transmitir e não permitir que outros transmitissem, foi achar que a informação não chegaria a ninguém se não fosse por eles. Achar que o único veículo de comunicação do Brasil são eles. Depois da novela, depois do CASSETA E PLANETA, depois do seriado que estreou ontem, ou seja, depois da meia-noite, quase duas horas depois que o jogo já havia acabado, entra no ar o programa CENTRAL DA COPA. Nele, o apresentador falava do jogo fazendo ar de suspense, escondendo o resultado, como se toda a população estivesse ali, esperando, ansioso, para “descobrir” quanto havia sido a partida. É mesmo, deviam estar todos lá grudados na telinha esperando para receber a informação. Já que não existe rádio e nem internet, né? Papelão. Além de não passar o jogo, ainda fica fazendo suspense para levar a informação à público. Desrespeito com o telespectador, que espero eu, tenha usado de outras mídias para   conseguir matar sua curiosidade. Até porque o tal CENTRAL DA COPA começou muito tarde para quem, como eu, é trabalhador e precisa acordar cedo no dia seguinte.

A única desculpa que poderiam dar (como se eles se preocupassem em prestar contas aos telespectadores) seria de que um jogo de futebol amistoso não é importante o suficiente para ocupar seu horário nobre. Só que mesmo que alegassem isso, não é condizente com o que sempre fizeram e muito menos com a cultura de nosso país.  Já que sempre – sempre mesmo! - transmitiram os amistosos de nossa seleção e assistir os jogos de futebol fazem parte da cultura do nosso povo e para eles, e me incluo aí, esse esporte é algo de suma importância. Sem falar que é praticamente o único assunto no dia seguinte as partidas, seja no trabalho, na escola, no bar, na rua, no ponto de ônibus...

E, mesmo assim, nada justifica, já que deram preferencia para a lavagem cerebral novela, deixassem que outra emissora transmitisse o jogo, afinal, com certeza, isso seria de interesse para muitos outros canais. Reter informações é algo muito feio, vocês da GLOBO deveriam saber disso.


Brasil x E.U.A.
Quanto ao jogo em si, pelo que li à respeito, nossa seleção só demonstrou uma coisa: que o Dunga ou não manja nada de futebol ou ganhava muito dinheiro dos empresários dos jogadores que ele convocou. Pois parece que o time de Mano Menezes, formado por uma base jovem de atletas e com todos aqueles jogadores que a gente queria que estivessem na copa, jogou muita bola e bateu fácil a equipe do Tio Sam. 


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Ser ou não ser, metrossexual


Num espaço de apenas dois dias, vi dois programas de televisão tratando sobre o mesmo assunto, o tal do metrossexualismo. Que caso alguém ainda não saiba, metrossexual é aquele cara que se preocupa muito com sua aparência, usa cremes e mais cremes, faz as unhas e perde horas em frente do espelho se admirando. Assim como fazem as mulheres... É isso que fazem os caras metrossexuais.

Nos programas, à saber o excelente A LIGA e o popularesco CASOS DE FAMÍLIA,  existiam pessoas contra e à favor. Tanto rapazes metrossexuais falando de como é bom fazer parte desse clube, como também aqueles homens que acham que isso não passa de homossexualismo perda de tempo. Além de opiniões mais importantes do que a desses caras. No caso, a opinião das mulheres, que são quem, de fato, devem ter preferência por esse ou aquele tipo de homem.  Correto?

E pelo que pude perceber na maioria das opiniões expressadas pelos entrevistados, a preferência da mulherada é por “homens comuns” e não pelos excessivamente cuidados. Ao contrário do que estes pudessem pensar.

O que significa que você que é como eu e não tá nem aí para cremes, unhas milimetricamente cortadas, corpo depilado e todas essas coisas, pode ficar tranquilo. Os tempos ainda não são tão modernos assim.  E as mulheres continuam preferindo homens que se cuidam como homens mesmo.

Óbvio que isso é questão de opinião e cada um tem a sua. Mas acredito que homens devem agir como homens e mulheres como mulheres. Elas sempre foram mais vaidosas e por isso se cuidam mais e gastam mais tempo com cosméticos e tudo mais. Enquanto nós homens, preferimos usar nosso tempo para outros tipos de coisa, como futebol por exemplo, ou então um bom jogo de videogame ou uma boa cerveja gelada. Sendo que à partir do momento em que os caras começam a se cuidar mais (ou igual) a mulherada, é que algo está errado.

Tudo bem, não precisa sair por aí parecendo um troll da neve, mas também não precisa ser o príncipe encantado. Concorda?


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Bruno, Mércia e as Teorias da Comunicação

Em qualquer telejornal desse país só se falam de duas coisas, o assassinato envolvendo o goleiro do FLAMENGO e a morte da advogada Mércia Nakashima. Dois crimes bárbaros e chocantes sem dúvida alguma. Porém, não se fala em outra coisa e isso me intriga (tanto quanto os desdobramentos dos casos).

Nosso país vive momentos de muita violência, onde crimes dos mais hediondos acontecem aos montes e a população vive amedrontada. Porém, mesmo com esse medo, a brutalidade vista nos jornais é tanta que praticamente nada mais choca as pessoas. Tanto que um filme como JOGOS MORTAIS, por exemplo, tem que apelar muito e fazer coisas muito absurdas para conseguir abismar seu público, já acostumado com a violência do dia-dia. Com toda essa crueldade estampada em cada capa de jornal desse país, porque é que os dois casos citados no início desse texto recebem tanta atenção da mídia?

A resposta para isso pode ser encontrada facilmente nas teorias da comunicação, em especial a do “Gatekeeper” e da “Agenda Setting”, que são ensinadas em todas as faculdades de jornalismo, mas que muitas vezes nem se dão conta na prática (nem os comunicólogos e nem os telespectadores). A primeira dessas teorias estuda o fato do jornalista/editor escolher aquilo que deve e aquilo que não deve ser publicado, o que é relevante ou não. Se preferir, em bom português: aquilo que irá lhe trazer mais lucros, vender mais jornais, ter maior audiência e assim aumentar o valor cobrado de seus anunciantes.

 Já a “Agenda Setting” estuda a ocorrência dos meios de comunicação escolherem aquilo que deve pautar as discussões da sociedade. Por exemplo, se a mídia quiser dar maior ênfase para um determinado assunto, como sempre fazem, vai jogá-lo à exaustão no ar e assim a população irá debater sobre o caso. Os meios de comunicação é que decidem sobre o que as pessoas vão falar no dia seguinte. Sejam sobre futebol, novela, desastres naturais ou assassinatos bárbaros.  

Sendo assim os casos do goleiro Bruno e da advogada Mércia foram aprovados pelo Gatekeeper porque, apesar dos tantos casos de assassinatos horríveis que assolam nosso país, estes dois têm como personagens pessoas conhecidas, influentes e ou ricas. Porque a verdade é essa, se tratassem de pessoas pobres, fatalmente ganhariam apenas uma pequena nota nos jornais e o desenrolar do caso talvez nem chegasse a conhecimento do público. Mas como em ambos os casos os envolvidos são pessoas notáveis dentro da sociedade (um goleiro de time grande e uma advogada) a população acaba consumindo mais a notícia e os donos de mídia faturando mais dinheiro consequentemente.

Aí entra também a teoria do agendamento, pois para manter os casos em evidência e assim continuarem lucrando, é de interesse dos meios de comunicação continuarem noticiando os casos para manter seu ibope nas alturas. Dessa forma a população discute cada vez mais os desdobramentos e novas pistas descobertas pela policia e assim se envolvem mais no caso, a fim de chegarem ao desfecho dos mesmos.

Para conseguir realizar esse agendamento, dá-lhe reportagens e mais reportagens a respeito, entrevista com familiares, repetição de fotos, gravações e imagens, etc. Qualquer novo mínimo detalhe acaba virando manchete em todos os veículos de comunicação. O lado bom dessa cobertura total da mídia é que acaba pressionado policiais e investigadores a trabalharem mais intensamente e se empenharem mais. 

Entretanto, deixando as teorias da comunicação de lado e apostando na teoria da conspiração: até que ponto é interessante para a mídia que esse tipo de caso tenha um desfecho rápido? Afinal, qualquer nova pista é sinal de audiência garantida para os telejornais. Sendo assim para a mídia pode ser muito mais lucrativo que o caso demore a se desenrolar para continuarem tendo audiência e a partir do momento em que o público estiver cansado, finalizarem o caso. E tendo em mente o poder que os meios de comunicação possuem, não é difícil que a polícia “respeite” isso e conclua o caso quando for de interesse da mídia. 
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Legendários e o humor do bem


Depois da estréia de LEGENDÁRIOS, o novo programa de Marcos Mion e cia limitada na Record, muito se ouve falar sobre “humor do bem”. Confesso que antes  das chamadas da citada atração eu nunca sequer tinha escutado nada à respeito disso.  Eu poderia até dizer que sabia o que era humor do bom, mas do bem, não tinha idéia do que poderia ser.

Pelo que pude perceber, nas poucas vezes que assisti o  programa e pelos discursos inflamados de Mion, o tal do “humor do bem” é mais ou menos o seguinte: fazer rir sem apelações, sem preconceitos de qualquer natureza e sem tirar sarro das pessoas.  Isso tudo em teoria, claro. Na prática o que vi na TV foi um programa no estilo do CQC da Band. Sabe aquela coisa de querer fazer matérias que ficam entre o humor e o jornalismo/denúncia? Então, muita coisa vai nesse sentido.

Em um dos quadros do programa, por exemplo, Felipe Solari tenta salvar a natureza, por assim dizer. Determinada vez, junto a seus companheiros, foi plantar árvores. Noutra oportunidade foi investigar e protestar contra o trágico vazamento de óleo no golfo do México. Já outra atração do programa tentava mostrar o preconceito existente contra negros (e em outro caso contra mulheres e homossexuais). Para isso, colocou três atores dentro de uma loja de um shopping e dentro da mochila de um deles havia algo que fazia o censor contra roubos da loja apitar. Quando isso acontecia, todos saiam andando normalmente, como se não soubessem de nada ou não tivessem nada a ver com aquilo. A questão era ver qual dos três os seguranças iriam abordar. Na maioria dos casos, sobrou para o negro. Triste. Mas onde fica o humor nessa história? Afinal, ver como nossa sociedade é abominável não é exatamente algo engraçado.

Ok, devo concordar que mostrar e combater esse maldito preconceito, assim como cuidar da natureza, é algo muitíssimo importante e mostrar isso em canal aberto e em horário nobre é algo louvável. Nesse sentido realmente estão de parabéns. O difícil é saber qual é a graça disso. Graça no sentido de fazer rir mesmo. Talvez essas sejam  “reportagens do bem”, mas não humor.

Mas no programa também existem quadros de humor propriamente dito. Como os protagonizados pelos ex-HERMES E RENATO, que continuam afiados, mesmo sem palavrões e o da personagem Teena, que parece ser o maior trunfo dos LEGENDÁRIOS, conseguindo arrancar boas risadas, mesmo sendo praticamente uma cópia,ainda que com personalidade própria, do “Repórter Inexperiente” do humorista Danilo Gentili.

Mesmo não sendo, em minha opinião, um programa de humor em si, os LEGENDÁRIOS pode sim ser chamado de um programa do bem. Pois as causas da trupe do Mion são nobres. Já os quadros de humor em si, não são apelativos ou pejorativos, mas também não são exatamente algo que se possa chamar de “do bem”. Apesar de que perto da maioria dos programas humorísticos da TV brasileira, independente de serem engraçados ou não, são muito mais respeitosos. Mas isso já é assunto para uma matéria vindoura... Até porque senão vamos poder dizer que o humor dos filmes do MONTHY PINTON também é do bem.

E você, amigo leitor, o que acha dos LEGENDÁRIOS? Na sua opinião existe ou não “humor do bem”?  Saia do ócio e comente aí!


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