Vandroya (General Bar, Jaú - 20/07/14)


Nas cidades do interior do estado de São Paulo, como aquela em que eu resido, não há muito o que se fazer em um domingo à tarde. Tomar um sorvete com a amada, assistir algum filme, jogar xadrez na praça, enfim, não existem muitas opções. Mas não no dia 20/07/14. Nesse dia tinha show de Heavy Metal na cidade de Jaú. O General Bar trazia a banda VANDROYA, que está completando 13 anos de estrada e promovendo seu aclamado debut “One”, lançado ano passado.

Apesar de ser em um preguiçoso domingo de inverno e em uma cidade pequena, lá estavam os camisas pretas ocupando a casa de show e prontos para assistir a um grande espetáculo.

A missão de esquentar o público para a banda principal, ficou por conta da competente banda de hard rock GANG BANG e só posso dizer que a escolha foi deveras acertada. O grupo formado na própria cidade de Jaú, possui um visual glam e boa presença de palco. Agitaram o público durante toda sua apresentação. Com execução perfeita, o grupo formado por André Anheiser Ferrari (vocal, Ex-Eyes of Shiva), Gustavo Oseliero (guitarra), Leandro Passos (guitarra), Rafael Picello (baixo) e Claudio Strapasson Neto (bateria), tocou clássicos de bandas como GUNS N ROSES, STEEL PANTHER e WHITESNAKE. Anotem o nome dessa banda, os músicos são muito bons e quando começarem a escrever material próprio vai render bons e divertidos frutos.

Por volta das 17h20 começava a soar nos PA a intro “All Becomes One” para delírio do público, que começava a se aglomerar em fronte ao palco, já ansiosos para o abrir das cortinas e o início do show do VANDROYA.  E a banda entra de cara com a veloz “The Last Free Land”. Como de costume, tanto nas apresentações do grupo, como nos outros show da casa, o som estava perfeito, todos instrumentos audíveis e nítidos.

Sem tempo para descanso, a banda formada por Daísa Munhoz (vocal), Marco Lambert (guitarra), Rodolfo Pagotto (guitarra), Giovani Perlati (baixo) e Otávio Nuñez (bateria) emendou as pauladas “No Oblivion for Eternity” e “Within Shadows”, presentes no disco “One”. Todas executadas à perfeição e com um ingrediente a mais, ao vivo soam ainda mais intensas.

Nesse momento, a banda já pôde notar que estava com o público totalmente ganho, com a grande maioria dos presentes mostrando que conhecem as músicas da banda e cantando junto, sempre ovacionando o grupo ao fim de cada canção. A carismática vocalista agradece ao público e dá a eles o que eles estavam querendo, mais músicas. Então foi a vez de “Anthem (For the Sun)” e a balada “Why Should We Say Goodbye” cantada em uníssono pelos presentes.

Daísa Munhoz para o show novamente, agora para dizer que a banda está participando de um tributo a banda alemã HELLOWEEN e que para eles é um orgulho estar fazendo parte dessa grande homenagem a uma das melhores bandas do mundo. Então uma chuva de aplausos é despejada em cima da vocalista. Sem dizer que música seria tocada, o baterista puxa a clássica “March of Time” presente no disco “Keeper of the Seven Keys Part II” de 1987. E só posso dizer que a performance do VANDROYA foi fantástica e a vocalista deu conta do trabalho complicadíssimo que é interpretar músicas gravadas originalmente por Michael Kiske.

Na sequência, a banda tocou a empolgante “Change the Tide” presente tanto no álbum “One”, como no disco "Hollow's Gathering" da Metal Opera brasileira SOULSPELL, da qual alguns músicos do VANDROYA fazem parte.

A banda anuncia que tem uma surpresa para comemorar os 13 anos da formação do grupo e para isso preparou alguns covers de bandas que os influenciaram. Então começou uma sequência de músicas primorosas para deixar qualquer headbanger feliz da vida.

A introdução “Rising Mercury/Winston Churchill” denunciava que vinha IRON MAIDEN pela frente e veio com três clássicos em sequência “Aces High”, “Flight of Icarus” e “The Trooper”, o General Bar veio a baixo.

Agora o guitarrista Marco Lambert assume os vocais para uma versão destruidora de “Creeping Death” que fez a galera ir a loucura, mostrando o quanto as músicas do METALLICA parecem ter sido compostas especialmente para funcionar ao vivo.

Depois, foi a vez da influência prog metal dar as caras. Duas grandes canções da banda estadunidense DREAM THEATER, a clássica “Pull Me Under” e a belíssima “The Spirit Carries On”. Essa última merece um capítulo à parte. Marco Lambert assumiu o vocal novamente, o que me causou certa estranheza a princípio. Ele estava fazendo um trabalho competente, mas essa música era para a Daísa Munhoz. E era para ela mesmo como ficou provado adiante. Assim como na versão ao vivo eternizada no DVD “Metropolis 2000: Scenes from New York”, Daísa entrou assim que a música subiu, fazendo a voz que no DVD foi da convidada Theresa Thomason e com certeza deixou todo o público arrepiado e dali para frente tomou conta. Sem dúvidas, um momento emocionante. Essa música já é linda e tocada ao vivo e da forma como fez o VANDROYA, foi algo mágico. Se você não sabe do que estou falando, procure dar uma olhada no DVD mencionado ou melhor ainda, não perca a próxima apresentação do VANDROYA.

Após recuperar o folego, era hora de retomar as canções do disco de estreia da banda, foi a vez das pesadíssimas “This World of Yours” e “When Heaven Decides to Call” que fizeram o público bater cabeça novamente.  Na sequência, a progressiva “Solar Night”, última faixa do álbum “One”, que diga-se de passagem, foi tocado na integra, mostrando a consistência desse disco, ia dando sinais de que a apresentação se aproximava do fim.  E de fato, estava terminando, mas não sem antes a banda tocar uma versão apoteótica de “Hallowed Be They Name”, uma das melhores do MAIDEN e que funciona magistralmente na versão vandroyana.

Encerrado o show, a banda pôde deixar a cidade da Jaú com a sensação de dever comprido e o público de alma lavada por ter o prazer de assistir uma grande performance, dessa que tem tudo para ser uma das maiores bandas do metal nacional. Uma banda que tem talento de sobra, seja para tocar ou para compor, além de inegável carisma. Que venho o próximo show e também o próximo disco.

Line Up:
Daísa Munhoz (vocal),
 Marco Lambert (guitarra)
Rodolfo Pagotto (guitarra)
Giovani Perlati (baixo)
Otávio Nuñez (bateria)

 Set-List:
01 - All Becomes One
02 - The Last Free Land
03 - No Oblivion for Eternity
04 - Within Shadows
05 – Anthen (For the Sun)
06 - Why Should We Say Goodbye
07 - March of Time (Helloween)
08 - Change the Tide
09 - Rising Mercury/Winston Churchill - Aces High (Iron Maiden)
10 - Flight of Icarus (Iron Maiden)
11 - The Trooper (Iron Maiden)
12- Creeping Death (Metallica)
13 - Pull me Under (Dream Theater)
14 – The Spirit Carries On (Dream Theater)
15 - This World of Yours
16 - When heaven Decides to Call
17 - Solar Night

18 – Hallowed Be Thy Name (Iron Maiden

Barista: Carlos Eduardo Garrido
Fotos: Renato Campos Soares de Faria

































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Age of Artemis - Overcoming Limits


Prestes a lançar seu segundo e aguardado álbum, “The Waking Hour”, resolvi dar uma repassada no excelente debut “Overcoming Limits” de 2011, apenas a fim de aumentar ainda mais as expectativas para o novo disco do AGE OF ARTEMIS.

Como em tudo que o talentoso e batalhador Alírio Netto se envolve, o destaque acaba ficando para ele, não importa o quão bom sejam os instrumentistas e as músicas criadas. Em “Overcoming Limits” não foi diferente. O vocalista dá um show à parte e mostra que tem pleno domínio de sua voz e sabe como encaixá-la nas músicas, seja nos agudos ou nas partes mais graves. Além disso, possuí um timbre bastante agradável. Porém, a banda está longe de se resumir a ele, pois, é formada por músicos extremamente competentes e que mostram que entendem do riscado.

Agora chega de conversa e vamos ao que interessa que é o som dos caras. Se em outros trabalhos em que o vocalista está ou esteve envolvido, como KHALLICE e LINCE, o som era mais puxado para o metal progressivo, com o AGE OF ARTEMIS a pegada é bem mais para o power metal, ainda que o prog se faça presente aqui e ali. Todos sabemos o quanto optar por esse caminho pode ser perigoso, pois existe um mar de bandas do estilo que soam repetitivas ou meras cópias daquelas de maior destaque na cena. Entretanto, em “Overcoming Limits”, o grupo conseguiu se distanciar dessa mesmice e soar original.

O som do grupo acerta em buscar referências nos grandes nomes do estilo, mas ao mesmo tempo soar moderno e atual. Aqui você vai encontrar características inerentes ao estilo, como bateria veloz, riffs cortantes e solos avassaladores. Mas não apenas isso, as músicas são bastante variadas entre si e esse é o grande trunfo da banda. Dessa forma, ouvir o disco é uma tarefa bastante agradável, pois não cansa o ouvinte em momento algum. Músicas mais velozes e outras mais cadenciadas estão muito bem intercaladas no álbum. E o mais legal é que as canções possuem aquela aura de positividade encontrada nos primeiros trabalhados do HELLOWEEN e na era de ouro do STRATOVARIUS.

Em discos dessa qualidade é difícil encontrar destaques, mas mesmo correndo o risco de ser injusto, destaco as seguintes faixas. “Echoes Within” é a típica faixa de abertura dos álbuns do estilo, mas ressalto que é uma das melhores que ouço em anos, disputando esse título com “Last Free Land” dos compatriotas do VANDROYA. A balada “Take me Home” também merece ser destacada pela sua beleza. “One Last Cry” é mais cadenciada e parece ter saído do Temple of Shadows do ANGRA ou de algum trabalho recente do KAMELOT e claro que isso é um elogio. A épica “God, Kings And Fools” possui um clima meio egípcio e riffs maravilhosos, além de grande performance de Alírio Netto, uma das melhores músicas do disco. Enquanto que “Mystery”, “Break Up the Chains” e a excelente “Till The End” trazem de volta a velocidade inerente do power metal.

Em resumo, “Overcoming Limits” é mais um disco daqueles para nos orgulhar de sermos brasileiros, peça indispensável para qualquer apreciador de um bom heavy metal, especialmente para os amantes do power metal.

Fica a expectativa para que o próximo álbum seja tão com quanto esse e pelo talento nos envolvidos, provavelmente será.


Formação:
Alírio Netto - voz
Nathan Grego - guitarra
Gabriel ‘T-Bone’ Soto - guitarra
Giovanni Sena - baixo
Pedro Senna - bateria
Age Of Artemis - Overcoming Limits
(2011 / MS Metal Records – nacional)
01. What Lies Behind...
02. Echoes Within
03. Mystery
04. Take Me Home
05. Truth In Your Eyes
06. Break Up The Chains
07. One Last Cry
08. You ll See
09. God, Kings And Fools
10. Till The End
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Greve no Futebol



Quem gosta de futebol e provavelmente até quem não gosta, deve ter ouvido falar sobre uma possível greve que acontecerá na rodada desse fim de semana no "Campeonato Paulista". 

Na TV vemos depoimentos de jogadores e outros profissionais envolvidos com o esporte se posicionando tanto contra como a favor a paralisação. A mídia em si, parece ficar em cima do muro e não se posiciona para lado algum. 

Porém, aqui no CAFÉ COM ÓCIO a opinião é que essa greve não tem razão de ser. 

A priore, a paralisação, articulada pelo Bom Senso F.C., iria existir como revindicação por melhores condições de trabalho. O que eles alegavam é que o calendário do futebol brasileiro é muito apertado e chega próximo a ser desumano, segundo eles. Esse humilde redator discorda humildemente disso. Outros esportes, como vôlei e basquete tem jogos de uma mesma equipe em dias seguidos, enquanto atletas de tênis soam correndo numa quadra por, muitas vezes, mais de três horas numa mesma partida. Mas como nunca joguei profissionalmente, não posso dizer o quão desgastante pode ser a rotina de uma atleta de futebol. De qualquer forma, uma coisa é fato, é só os dirigentes dos clubes não concordarem com esse calendário antes de assinar dizendo que está tudo bem.

Talvez vendo que seu argumento não era assim tão forte, os atletas ligados ao Bom Senso, aproveitaram as recentes cenas de violência no centro de treinamento do Corinthians para usar como bandeira em sua greve. 

Concordo que esse tipo de atitude das torcidas organizadas são absolutamente repudiáveis. Mas não acho que esses vagabundos "torcedores" vão se tornar mais civilizados ou pensar melhor em suas ações por conta de uma paralisação no campeonato. As medidas para conter esse tipo de problema precisam ser muito mais severas e envolvem questões criminais, além de uma mudança política na diretoria dos clubes, como aconteceu com Cruzeiro e Palmeiras, que cortaram regalias a essas torcidas uniformizadas. 

Então, voltamos ao ponto em que essa greve não deverá servir para nada de importante. Esses atletas que encabeçam essa paralisação são todos da primeira divisão do futebol e jogam em grandes clubes e dessa forma recebem salários astronômicos para a realidade de nosso país. Para eles jogando N jogos por ano ou não, vão se aposentar com 30 e poucos anos e com uma grande fortuna guardada no banco. 

Quem, de fato, teria direito para fazer protestos contra o futebol profissional, são os milhões de jogadores de times pequenos de terceira e quarta divisão ou das equipes do interior do Brasil, que jogam em condições precárias e recebem um salário baixo, tendo muitas vezes que trabalhar em um emprego comum para reforçar a renda familiar. Mas esses, mesmo aqueles que atuam em clubes menores da primeira divisão, são contra a greve, pois podem ficar com suas carreiras manchadas ou ficar seu pagamento (bem mais modesto do que daqueles envolvidos com o Bom Senso).

Agora, estes que de fato estão apoiando a greve, parecem mais rebeldes sem causa. Existem tantas coisas mais importantes que precisam de mudanças que não dá para aguentar jogadores milionários choramingando por ter que "trabalhar demais". Sendo que grande parte da população trabalha de sol a sol e durante a vida inteira não vão conseguir juntar o que esses caras ganham num mês. 


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O Mestre do Metal

Hail! 

Saudações, meus amigos. Aqui quem vos escreve é o novo colaborador deste blog, estou aqui para me apresentar à vocês.  

Devido a minha grande vivência no underground metálico e também por ser, assim como o rei dos riffs Tony Iommi, um torneiro mecânico de mão cheia (ainda que nos falte algum dedo), me autointitulei como "Mestre do Metal". Nada mais justo. Pois, metal é comigo mesmo, seja o thrash do SLAYER ou a liga de ferro fundido da oficina em que ganho meu pão e pago minha cerveja.

De qualquer maneira, meus caros discipulos,estou aqui para compartilhar meus conhecimentos com vocês, sejam os já iniciados e entendidos nas artes obscuras e mágicas do Heavy Metal ou sejam vocês crianças bastardas e posers que ficaram tristes com a tardia morte da porcaria da MTV em canal aberto. Que aliás ficou pior ainda (se é que isso é possível) na TV fechada.

Mas não esperem que eu compactue com o som de maricas das chamadas bandas de new metal ou de metal melódico, como faz o Garrido aqui do CAFÉ COM ÓCIO. Meu negócio é som de verdade. Afinal, sou bem homem! Aqui é IRON MAIDEN, METALLICA das antigas, SLAYER, VENOM, AC/DC, DEEP PURPLE, BLACK SABBATH, CELTIC FROST, MOTORHEAD, SAXON, THIN LIZZY e para relaxar um LYNYRD SKYNYRD e um PINK  FLOYD, além de tantos outros sons bons.

Espero estar sempre postando e poder doutriná-los no verdadeiro Heavy Metal. Até a próxima,pois que agora tenho que abastecer minha moto e também minha barriga peluda.

Stay Metal, my friends 
 

 
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Metallica: All That Matters - A História Definitiva



"Metallica: All That Matters - A História Definitiva" foi lançado lá fora em 2010 chegou em nosso país em 2012, nas minhas mãos em 2013 e aqui no CAFÉ COM ÓCIO em 2014. Porém, todo esse tempo entre o lançamento e essa resenha não traz grande importância. Já que mesmo passados praticamente quatro anos desde que essa biografia foi lançada, pouca coisa aconteceu na vida do METALLICA. De lá para cá nenhum álbum de estúdio foi lançado,entretanto nesse período ocorreu a formação do Big Four - e isso seria interessante de saber como aconteceu, de fato. Mas a obra do jornalista britânico Paul Stenning não é afetada por isso, já que a banda tem muita, mas muita história para ser contada nesses 30 anos de estrada.

Já que o citamos, vamos aproveitar para falar um pouco sobre o autor. Stenning já lançou 24 livros, incluindo trabalhos sobre AC/DC, IRON MAIDEN, GUNS N ROSES, entre outros, incluindo aí uma obra sobre a história do thrash metal. Além disso, colabora há mais de 15 anos com diversas revistas de música dos EUA e da Inglaterra, como as conceituadas "Rolling Stone" e "Metal Hammer".

"Metallica: All That Matters - A História Definitiva" é uma biografia não oficial sobre a banda, o que significa tanto coisas boas quanto ruins.  Não ser oficial traz consigo o fato de que não tenha sofrido censura por parte dos músicos, produtores ou outras partes envolvidas na história. Mas por outro lado significa que pode não ser 100% verdadeira, deixando brechas para que o autor possa usar algum tipo de licença poética, na melhor das hipóteses. Entretanto, não vi durante a leitura nada que possa ser absurdo demais para não poder estar publicado e nem fantasioso demais para ser invencionice.

Bom, vamos falar do que realmente interessa, que é a biografia do METALLICA. O livro traz toda a história da banda desde sua formação até o lançamento do disco "Death Magnetic" em 2008 e a indicação do grupo para o Hall of Fame um ano depois. Aliás, a obra começa antes mesmo de a banda existir, contando desde a infância dos músicos, principalmente James Hetfield e Lars Ulrich.  Usando como fonte depoimentos dos próprios membros da banda, além do amigo Fred Cotton, familiares e de Leah Storkson, namorada de Hetfiled nos primórdios do METALLICA. 

Particularmente, gostei bastante dessa biografia. O livro conta em detalhes o começo do grupo e toda a evolução aos longos dos anos, desde musicalmente até na personalidade e modo de pensar dos integrantes em relação a banda e também em suas vidas. Passando pelos problemas com Dave Mustaine e a conturbada passagem de Jason Newsted, que parecia não ser totalmente aceito pelos membros remanescentes. A batalha de Hetfield contra alcoolismo, os processos contra o Napster, a trágica morte de Cliff Burton, entre muitas outras coisas.  

Mas o que mais gostei na obra foi que ela é bastante focada na parte musical da história, o que os membros do METALLICA pensavam em relação aos discos na época em que os estavam gravando e como surgiu algumas músicas e letras. Saber como a banda surgiu é legal, mas saber sobre as músicas, gravações e discos é muito mais legal. 

Barista: Carlos Eduardo Garrido

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Vandroya - One



Todos sabem o quanto é difícil viver de música em nosso amado país e em se tratando de Heavy Metal, mais ainda. Não porque o estilo não tenha público, muito pelo contrário inclusive, mas porque há pouco espaço para ele no Brasil. Existem poucas casas de show que apoiam o rock pesado e poucas lojas especializadas. Porém, o pior não é isso. O mais complicado é conseguir apoio/patrocínio para conseguir realizar o sonho de gravar um disco e sair em turnês.  Mesmo diante desse quadro altamente desfavorável, o VANDROYA conseguiu alcançar seu objetivo e colocar no mercado o, já aclamado, debut “One”, mesmo que com muito suor, oito anos após o lançamento da demo” Within Shadows”.

Sabendo de toda a batalha que uma banda de metal tem que vencer, ao ouvir “One”, fico ainda mais orgulhoso do trabalho da banda e da cena de nosso país. Pois, o que se ouve na bolachinha é um som altamente profissional, muito bem gravado e muito bem tocado, que não deve nada para aquilo que vem da Europa, onde sabiamente, o Heavy Metal é mais aceito.

Para aqueles que ainda não tiveram o prazer de conhecer o som da banda, não caia na ideia de que é uma banda com vocal feminino. Sim, é uma banda com vocal feminino, mas isso, de certa forma, menosprezaria e rotularia erroneamente o som do grupo. O importante aqui é dizer que Daísa Munhoz possui um baita de um gogó. Mas não espere nada de soprano ou aspirações góticas, a moça canta como manda a cartilha do bom Power Metal, voz potente, ora melódica, ora rasgada, mas invariavelmente bela e agradável. 

O som apresentado pelo grupo soa como um híbrido de Prog e Power Metal, mas com alma própria, não espere nada genérico, como milhares de bandas do estielo que pipocaram nos anos 2000. Ao ouvir, você saberá que se trata do VANDROYA.

A faixa que abre o disco, logo após a introdução como manda a tradição, é “The Last Free Land”. Uma música veloz, cheia de guitarras cantadas, baixo pesadão e refrão grudento, com certeza fará a alegria dos fãs de power metal.  Seguem essa linha “Change the Tide” com participação de Leandro Caçoilo cantando demais, como sempre, e “When Heaven Decides To Call”.

O lado mais progressivo também dá as caras, como nas excelentes “No Oblivion for Eternity”, “Whithin Shadows”, “Anhthem (for the Sun)” e “Solar Night”. Esta última com todo aquele jeitão das semi-baladas dos estadunidenses do Symphony X, o que é um tremendo elogio.

O álbum todo segue em um nível altíssimo, e seria injusto destacar essa ou aquela música dentro de um disco tão coeso e inspirado. Mas saiba que você ouvirá guitarras que conseguem ser virtuosas sem abandonar o peso e a melodia, baixo marcante, bateria muito bem encaixada que sabe quando tem que ser rápida e quando tem que ser quebrada e um vocal que dispensa comentários. Outra coisa que chama muito a atenção são os refrãos marcantes, que ficarão na sua cabeça por bastante tempo, mas que não soam forçados ou repetitivos. Coisa rara nos dias de hoje. Ponto pra banda.

Porém, não posso terminar essa resenha sem comentar a belíssima balada “Why Should We Say Goodbye”, que já estava presente na demo de 2005 e aqui aparece com uma dose extra de peso. Grande canção. 

Se você, como eu, tem uma lista de álbuns esperando para serem ouvidos, se prepare para deixa-los de lado. Depois que você ouvir esse disco, você não vai mais querer tirá-lo do play. Viciante e obrigatório para qualquer fã do estilo. Espero que consigam manter o alto nível nos vindouros lançamentos, pois caso aconteça, fatalmente serão uma das grandes bandas de Metal do Brasil e do mundo.

Video-clipe da música “Why should we say goodbye”:

Nota: 10
Tracklist:
01. All Becomes One
02. The Last Free Land
03. No Oblivion For Eternity
04. Within Shadows
05. Anthem (For The Sun)
06. Why Should We Say Goodbye?
07. Change The Tide
08. When Heaven Decides To Call
09. This World Of Yours
10. Solar Night


Barista: Carlos Eduardo Garrido
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Kuartah - Equilíbrio


Já faz algum tempo que tenho em mãos “Equilíbrio”, álbum de estreia da banda paulista KUARTAH, lançado no final do ano passado. Desde então ouvi diversas vezes o disco tentando chegar a uma conclusão sobre como definir o som da banda. E para minha surpresa não consegui. Em determinados casos isso poderia ser falta de identidade do grupo, mas nesse caso é justamente o contrário, o grupo criou sua própria identidade, realizando uma mistura única de Metal, Hard Rock e Pop Rock com letras em português. O resultado é deveras agradável e satisfatório.

As diversas contribuições e toda a casta do Metal e do Hard Rock estão lá para quem quiser ver: riffs de guitarra muito bem trabalhados, um belo trabalho do baixo, e uma bateria inspirada, com direito até a pedal duplo e tudo. Entretanto, tudo temperado com um afável acentuo POP, resultado de uma produção cristalina e dos vocais suaves de Dani Borges e das letras que usam o amor como tema, mas com classe e não de forma brega ou chorona como comumente vemos por aí.

Além da vocalista já citada, completam a banda os talentosos Rodolfo Fly (VANDROYA, SOULSPELL) na guitarra, o baixista Rodrigo Ultramare, o baterista Lucas Monterosso, e Xande Freire no violão e voz.
Merecem destaques a veloz “Indeciso”, que abre o disco é uma das melhores do álbum, a hard rock “Falo Sem Palavras”, a levemente progressiva “Pintando Uma Vida”, as belas “Ainda Sonho Com Você” e “Novo Sol”, além da forte faixa-título.

Este bom álbum de estreia da KUARTAH mostra que a banda tem uma proposta bastante interessante, unindo o som bem trabalhado do metal com a acessividade do Pop Rock resultando num trabalho de muito bom gosto. Se mantiver a qualidade nos próximos lançamentos essa banda pode ter uma carreira brilhante pela frente.

Indicado para desde fãs de POP Rock até metalheads de cabeça aberta e fãs de boa música em geral. Uma bela estreia.

Track-List:
1- Enquanto (intro)
2-Indeciso
3- Velha Canção
4- Chorando Sozinha
5- Falo Sem Palavras
6- Onda
7- Pintando Uma Vida
8- História Pra Lembrar
9- Ainda Sonho Com Você
10- Novo Sol
11- Preciso te Encontrar
12- Equilíbrio

Line-Up:
Dani Borges - vocal
Rodrigo Ultramare - baixo
Rodolfo Fly - guitarra
Xande Freire - violão e voz 
Lucas Monterosso – bateria

Kuartah – Equilíbio (2010)
Produzido por Denis Ciani



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Café com Ócio | by TNB ©2010