Discografia Comentada: Blind Guardian

14 de dez de 2010


Com mais de 25 anos de uma carreira muito produtiva, o BLIND GUARDIAN é uma das mais aclamadas e importantes bandas de Power Metal em todos os tempos. Ao longo dos anos, a banda alemã, atualmente formada por Hansi Kursh, André Olbrich, Marcus Siepen e Frederik Ehmke, escreveu seu some na história da música criando um estilo próprio de Heavy Metal, que acabou ganhando o mundo e colocando-os no topo.

Nunca se estagnando, o grupo sempre lançou álbuns criativos e de qualidade indiscutível. Para acompanhar toda essa evolução pela qual a banda passou, nada mais apropriado do que revisitar toda sua vasta discografia de estúdio, desde o debut “Battalions of Fear” de 1988 até o recém-lançado “At the Edge of Time”. 


Battalions of Fear (1988)
Produzido por Kelle Trapp

Depois de duas demos bem sucedidas e a mudança de nome de  Lucifer Heristage  para Blind Guardian, essa banda formada pelos, então, jovens Hansi Kursh (vocal e baixo), André Olbrich (guitarra), Marcus Siepen (guitarra) e Thomas Stauch (bateria) conseguem colocar o debut “Battalions of Fear” no mercado. A banda teve apenas duas semanas para gravar o disco e mesmo assim o resultado obtido é deveras satisfatório.

Logo na primeira faixa, já dá para ter noções do poderio dessa, à época, ainda promissora banda. “Majesty”, que abre o disco, já nasceu com pinta de clássico. Já que nela encontramos vários elementos que se tornariam característicos no som do grupo. Elementos como vocais rasgados e melodiosos ao mesmo tempo, bateria fulminante, guitarras mesclando riffs pesados e bases soladas, refrão em coro. Isso sem falar nas letras com temática “Tolkiniana”, medievais e mitológicas.

À época o som da banda não chegava a ser exatamente uma novidade dentro da cena Metal europeia, já que era o início daquilo que seria chamado de Power Metal e muitas bandas vinham surgindo dentro desse estilo, mas o BLIND GUARDIAN já mostrava alguma personalidade própria na sua mistura de melodias vindas direto das músicas do IRON MAIDEN com o peso e velocidade de um METALLICA, além de varias pitadas do que seus compatriotas do HELLOWEEN estavam fazendo naqueles tempos. 

“Guardian Of The Blind” e a faixa-título seguem o mesmo padrão, com muita velocidade e peso. Enquanto “Run For The Night” é outro clássico, onde já se podia perceber a técnica do excelente baterista Thomas Stauch. “Wizard’s Crown” possui o refrão mais grudento do álbum e é outra grande música. O álbum ainda contava com duas instrumentais: “By The Gates Of Moria” e “Gandalf’s Rebirth”. Ambas muito bem compostas e executadas, dando mostras do talento da banda. 


Follow The Blind (1989)
Produzido por Kalle Trapp

O álbum “Follow The Blind” manteve a banda onde ela havia parado no seu antecessor, porém, soava ainda mais pesada. E sendo assim, a banda continuou fazendo seu Power Metal tão pesado e veloz, que beirava o Thrash Metal de bandas como TESTAMENT

Depois dos bons resultados alcançados com o debut, ninguém menos do que o mestre Kai Hansen (ex-Helloween, atual Gamma Ray) havia se interessado pelo trabalho do BLIND GUARDIAN. Tanto que acabou participando do disco, dividindo os vocais da excelente “Valhalla”. Música que se tornaria um dos maiores clássicos do grupo e acaba sendo o ponto alto deste “Follow the Blind”, que possui muitos bons momentos.

A abertura do disco acontece de forma, ao mesmo, tempo suave e tenebrosa com o canto gregoriano da introdução “Inquisition” até desembocar na pauleira “Banish From Sanctuary”.  que ainda é tocada em muitos shows recentes da banda. “Damned For All Time”, “Hail Of The King”, “Follow The Blind” e “Fast To Madness” mantinham a velocidade lá no alto, sempre com riffs certeiros, bateria veloz e vocais agressivos e bem encaixados.  

Ainda há espaço para dois covers, “Don’t Break The Circle” da banda inglesa DEMON, música bastante empolgante e com ótimo (e grudento) refrão; E a inusitada e dançante “Barbara Ann” do BEACH BOYS que contou com o produtor Kalle Trap no vocal.


Tales From Twilight World (1990)
Produzido por Kalle Trapp

Se até então a banda só havia lançados álbuns bons, entretanto nada muito acima da média. A coisa mudaria com esse “Tales From The Twilight World”, que pode ser considerado o primeiro auge da carreira desses jovens alemães.

A faixa de abertura é “Traveler In Time”, que já mostra um som mais melodioso do que antes, com mais coros e mais bases soladas de guitarra, o que viria a ser uma das maiores características da banda. Porém, igualmente pesada. A voz de Hansi Kursh também mostra uma evolução enorme, já começando a mostrar que seria um dos melhores vocalistas de metal.

Esse estilo mais melodioso e épico, também se faz presente nas excelentes “The Last Candle” e “Lost in the Twillight Hall”, esta última com a participação, sempre especial, de Kai Hansen. Mas as inovações não pararam por aí. “Lord of the Rings”, que como o nome entrega é baseada na obra-mor do escritor J.R.R. Tolkien, inaugura as baladas medievais do grupo, que passaria a ser um dos predicados do grupo e que lhes renderiam o apelido de bardos*. Já a curta “Altair 4”, com seus pouco mais de dois minutos, consegue causar calafrios com seu clima de suspense e ótimas linhas vocais.

Mais parecidas com o estilo dos álbuns anteriores, seguindo uma linha mais direta, temos a clássica “Welcome to Dying”, além das porradas certeiras “Goodbye My Friend” e “Tommyknockers”. O álbum ainda conta com a boa instrumental “Weird Dreams” e uma versão ao vivo para “Run for the Night” do primeiro álbum da banda.
Com “Tales From Twillight World”, o BLIND GUARDIAN  deu um passo à frente em sua carreira. Foi neste disco que a banda passou a apontar novos caminhos em sua sonoridade, tornando-se cada vez mais técnica, harmoniosa e cativante, mas sem nunca deixar de ser pesada como uma banda de Heavy Metal deve ser.

*Bardos: os bardos na história antiga da Europa eram pessoas que se encarregavam de contar a história, lendas, feitos e poemas de seus povos de forma oral, geralmente através de canções.


Somewhere Far Beyond (1992)
Produzido por Kalle Trapp

Depois do excelente “Tales From Twilight World” muito se esperava do próximo álbum do BLIND GUARDIAN, e ele não faz feio, aliás, passa longe disso. “Somewhere Far Beyond” é um grande álbum, e se não consegue superar seu antecessor, mantém o mesmo altíssimo nível. Mas há quem diga que este é o melhor disco da carreira do grupo.

Este álbum mantém a evolução apresentada no disco anterior, apostando em guitarras mais melodiosas, mas no geral, soa mais pesado que seu antecessor. Todas as músicas aqui presentes são ótimas, não tendo nenhum momento abaixo da média e contando com alguns dos riffs mais inspirados de sua discografia.

“Time What is Time”, que demonstra fortes influencias de METALLICA, abre o disco de forma matadora depois de uma calma introdução de violão. “Journey Through the Dark” une melodia e peso como poucas vezes se viu. Assim como as poderosas “The Quest for Tanelorn” “Ashes to Ashes” e pesadíssima faixa-título, que podem te causar um terrível torcicolo.

O desastre no pescoço do ouvinte só não é maior, por conta da calmaria proporcionada pelas faixas “Black Chamber” e “The Bard’s Song – In The Forrest”. A primeira, apesar de curtíssima é muito bela, sendo levada apenas em voz e piano. Já a segunda, pode ser encarada com uma das músicas mais amadas pelos fãs da banda. “The Bard’s Song – In The Forrest” com sua melodia acústica e grande interpretação vocal é uma canção extremamente marcante, é um verdadeiro hino da banda, sempre cantada em uníssono pela plateia nos shows da banda, tornando-se um dos pontos altos das apresentações do grupo. Não é pra menos, pois é uma musica maravilhosa. Daquelas de causar arrepio toda vez que você escutar.

A segunda parte de “The Bard’s Song”, a “The Hobbit”, pouco tem haver com a anterior, já que é uma música bastante pesada e com as guitarras dando o rimto. Outro grande momento do disco. Já na linha das canções épicas a representante é a excelente “Theatre of Pain”, com grande participação de teclados, garantindo um toque sinfônico.


Imaginations From The Other Side (1995)
Produzido por Flemming Rasmussen

Depois dos excelentes dois álbuns anteriores, tudo indicava que a banda tinha chegado no auge de sua criatividade e talento, e que a tendência agora era começar a cair de nível ou no máximo tentar se manter. Porém a banda mais uma vez surpreendeu a todos e lançou este que pode ser considerado como sendo o segundo auge da banda. Aqui a banda não só consolidou seu estilo, como também o aprimorou trazendo novos elementos para sua música. Um dos responsáveis por isso, talvez tenha sido o experiente produtor Flemming Rasmussen que foi contratado para o lugar de Kalle Trapp que havia trabalhado em todos os discos da banda até então. A banda alegou que a mudança ocorreu porque Trapp já não oferecia mais um trabalho interessante ao BLIND GUARDIAN. Clara demonstração de que a banda tinha projetos mais ambiciosos e este “Imaginations From the Other Side” confirmava essa tese.

Este álbum é também o responsável pela ascensão da banda em terras-brasilis, pois foi com ele que os headbangers brasileiros começaram a prestar mais atenção na banda, já que esse foi o segundo álbum do BLIND GUARDIAN a ser lançado em versão nacional por aqui.  

Logo de cara, na pesada faixa-título, que abre o disco, a primeira coisa que se nota é a produção bem mais cristalina, mas sem em momento algum prejudicar o peso da música. E quem já ouviu sabe do que estou falando. E que bela música é essa. Tons progressivos, constante mudanças de andamento e Hansi cantando como nunca. Ótima música e que já mostrava o poder do novo álbum dos bardos.

A velocidade segue a toda com as ótimas “I’m Alive”, “The Script For My Requiem”, “Born In A Mourning Hall” e “Another Holy War”. Todas excelentes composições com aquele estilo que tornou única a sonoridade da banda. Ritmos acelerados, vocais ora agressivos, ora melodiosos ou as duas coisas ao mesmo tempo, guitarras melodiosas e pesadas e uma cozinha de fazer inveja a qualquer banda de Thrash Metal, tamanha é sua força e velocidade. Pode procurar à vontade dentre as inúmeras bandas de Power Metal ou Metal Melódico, fatalmente você não irá achar nenhuma como o BLIND GUARDIAN.

Mas não é só esse estilo de música que dá cara a banda. As canções calmas ou cadenciadas que eles compõem tão seus peculiares a eles. Neste disco temos “A Past and Future Secret, uma bela balada medieval. Assim como “Mordred’s Song” que oscila entre o acústico e o elétrico numa outra bela música. Já “Bright Eyes” é mais pesada que ambas, porém, mantém um ritmo cadenciado e é outro grande momento desse clássico disco.
“And the Story Ends” completa o álbum em grande estilo trazendo a certeza de que este é uma das obras-primas da história do Heavy Metal e colocando o BLIND GUARDIAN definitivamente como um dos maiores expoentes do estilo.


The Forgotten Tales (1996)
Produzido em parte por Kalle Trapp, em parte por Flemming Rasmussen

Depois de cinco grandes álbuns e uma expectativa cada vez maior por parte dos fãs para colocar as mãos no novo do grupo. A banda lança a compilação “The Forgotten Tales” para  acalmar o público sedento por lançamento, que só iria colocar as mãos no novo disco dois anos depois deste e três anos após o último de inéditas.

“The Forgotten Tales” trás diversos covers gravados pela banda para tributos ou faixas-bônus de álbuns e singles, além de novas versões para suas próprias músicas. O resultado obtido é muito interessante.

Dentro os covers destaque para “The Wizard” do URIAH HEEP que ficou muito boa na voz de Hansi e para a grande “Spread Your Wings” do QUEEN, que também ficou fantástica na versão do BLIND GUARDIAN, acredito que até melhor que a original. “To France” de Mike Oldfield também ficou muito boa com sua nova roupagem. Mas a que mais chama a atenção é sem dúvidas, “Mr. Sandman”, música tradicional da Inglaterra, mas a versão aqui representada é da música gravada pelo grupo THE CHORDETTES em 1954. E sua versão metalizada ficou muito boa.

Já dentre as novas versões das músicas da banda, os destaques ficam o novo arranjo de “Lord of the Rings”, que ganhou contornos mais épicos, além de “Black Chamber” que foi orquestrada e ficou ainda mais bela. Assim como a versão acústica de “Bright Eyes”.

Impossível falar deste álbum sem citar a versão ao vivo de “The Bard’s Song – In The Forrest”, onde foi captado todo calor do público que praticamente canta a música sozinho.

Nightfall in the Middle-Earth (1998)
Produzido por Blind Guardian

O BLIND GUARDIAN é realmente uma banda diferenciada e quando você acha que eles já fizeram tudo o que poderiam fazer, eis que lançam este fabuloso “Nightfall in the Middle-Earth”, com certeza o disco mais audacioso de sua carreira. Este é o primeiro álbum conceitual da banda e suas músicas são totalmente baseadas no livro O SILMARILLION de J.R.R. Tolkien.

Para essa nova empreitada, o então vocalista e baixista Hansi Kursh decide dedicar-se somente ao vocal, deixando baixo a cargo de um músico contratado, a saber, Oliver Holzwarth, que se tornou praticamente um membro efetivo, pois esta com a banda até hoje e além de gravar os discos, se apresenta ao vivo com a banda. O resultado disso é que Hansi está com a voz ainda mais poderosa e pode concentrar-se mais e criar diversas camadas de vozes que preenchem as músicas, tornando-as ainda mais pomposas e detalhadas.

Musicalmente, este novo disco funciona como uma evolução clara em referencia ao álbum anterior. É como se a banda tivesse melhorado o que já era bom. “Nightfall in the Middle-Earth” é ainda mais melódico e muito mais complexo que seu antecessor. Aqui a banda está em sua melhor forma e todas as músicas são repletas de detalhes. Além disso, as guitarras cantantes, marca registrada da banda, estão em seu ápice, assim como a bateria sempre voraz de Thomas Stauch.

Além de tudo isso, existe mais elementos que tornam este álbum especial. Existem muitas vinhetas com sons de batalhas e narrações que fazem o ouvinte entrar de vez dentro da história. Todas gravadas com muito cuidado e bom gosto para não estragar essa grande obra.

Obviamente nada disso funcionária se as composições não fossem boas o suficiente. Mas elas são e muito. Neste álbum encontramos algumas verdadeiras pérolas do Power Metal como as melodiosas “Into the Storm”, “Mirror Mirror” e “Time Stand Still”. Além das obras-primas “The Curse of Feanor” e “A Dark Passage”, que mostram como a banda estava evoluída em termos de composições. Completa os destaques (em um álbum repleto deles), a clássica “Nightfall”, uma semi-balada poderosa e de beleza indiscutível.

“Nightfall in the Middle- Earth” é um item obrigatório para todos aqueles que se dizem apreciadores de Power Metal e/ou da obra de Tolkien.


A Night At The Opera (2002)
Produzido por Charlie Bauerfeind

Após longos quatro anos de espera, a banda reaparece na cena com este “A Night at the Opera”. Logo de cara o que chama a atenção é capa do disco, que dessa vez não foi desenhada por Andreas Marschall, responsável por todas as capas desde “Follow the Blind” (1989). Em segundo, o nome do álbum, que é o mesmo do clássico disco lançado pela banda QUEEN em 1975. Em entrevistas da época, Hansi diz o que o nome escolhido foi esse porque tinha tudo haver com as canções do disco, mas que também servia como uma espécie de homenagem à banda de Freddie Mercury.

Porém, não é só nestes quesitos que o novo disco do BLIND GUARDIAN chamava a atenção. A parte musical também atraia os holofotes, já que era possível notar uma pequena mudança no direcionamento musical da banda. Quer dizer, eles continuavam sendo os mesmos, mas dessa vez o nível de detalhes, de linhas de vozes, de camadas instrumentais, extrapolou os limites do que a banda vinha fazendo. Se em “Nightfall in the Middle-Earth” eles já haviam chegado numa quantidade de detalhamento nunca dantes vista, aqui eles foram além. O que deixou o som da banda ainda mais complexo e pomposo.

Quando o disco foi lançado, lembro-me de ler na imprensa especializada muitos elogios ao novo disco. Entretanto, também me recordo de os fãs terem ficado divididos entre os que não gostaram e os que tinham adorado este “A Night at the Opera”. Eu particularmente, gosto bastante deste disco e credito a não aprovação de muitos ao fato dele não apresentar nenhum grande clássico em potencial e isso, logo após, um álbum que tinha uma penca de músicas com essa qualidade. Além disso, se olharmos para os primeiros álbuns da banda, este é o que mais se distancia daquilo que o grupo fazia no início de sua carreira.

Merece destaque no álbum, a épica “Precious Jerusalem” que abre o disco; além das pesadas “Battlefield” e “The Punishment Divine”, que conta com um desempenho monstruoso do baterista Thomas Stauch. Aliás, se teve alguém que esteve em evidencia nessa gravação foi ele, que destruiu seu kit em todas as músicas. A balada “The Maiden and the Ministrel Knight” é outro ponto alto do disco, com sua sutileza e bom gosto. Mas a música que considero a melhor é, sem dúvida, a longa “And Then There Was Silence”, com seus mais de 14 minutos de variações rítmicas, que levam o ouvinte numa viagem através da guerra de Tróia.  Uma música maravilhosa.


A Twist in the Myth (2006)
Produzido por Charlie Bauerfeind e Blind Guardian

Mais uma vez, depois uma espera que durou quatro anos, os alemães do BLIND GUARDIAN gravam seu novo disco. Porém, dessa vez, a banda sofreu a primeira baixa em seu line-up, o baterista Thomas Stauch deixou a banda alegando divergências quanto aos novos rumos que a banda vinha tomando musicalmente e disse que iria tocar seus projetos solos. Uma pena, já que ele era adorado pelos fãs da banda e tocava seu instrumento como poucos. Para seu posto, foi convidado o também alemão Frederik Ehmke, que além de baterista, também toca gaita-de-foles e participa das percussões e vocais de sua banda de folk metal chamada SCHATTENTANTZ.
Em “A Twist in the Myth” a banda tenta retomar o ponto em que estavam quando do lançamento de “Nightfall in the Middle-Earth”, ou seja, uma mescla do peso dos primeiros discos com os novos detalhamentos e pompa atingidos com o então novo disco.

O produto encontrado com a soma desses fatores não chega a ser uma obra-de-arte como fui o álbum de 1998, mas passa longe de fazer feio ou de ser um disco ruim. Só não é tão fantástico quanto outras gravações presentes na excelente discografia do grupo. O fato é que “A Twist in the Myth” não consegue soar tão pesado quanto um “Somewhere far Beyond”, por exemplo, e nem tão inspirado quanto um “Nightfall...” ou um “Imaginations...”. Acaba ficando abaixo do esperado em se tratando de BLIND GUARDIAN, mas muito acima do que inúmeras outras bandas fazem por aí.

Alguns excelentes momentos podem ser encontrados em “This Will Never End”, na cadenciada “Fly” e em sua irmã “Dead Sound of Misery” e nas melodiosas “Another Stranger Me” e “Straight Through the Mirror”. Além das belíssimas baladas “Carry the Blessed Home” e “Skalds and Shadows”, que mostram que a banda se especializou nesse tipo de música, como poucas.

Quanto ao novo baterista, Frederik mostrou ser um músico muito competente e que poderá substituir Thomas à altura.


At the Edge of Time (2010)
Produzido por Charlie Bauerfeind e Blind Guardian

E mais uma vez os fãs tiveram que esperar durante quatro longos anos para colocar as mãos em um novo disco do BLIND GUARDIAN. Mas eu lhe asseguro que dessa vez a espera valeu muito à pena. “At the Edge of Time” consegue colocar mais uma vez a banda em lugar de destaque na cena metálica mundial. O novo disco dos bardos é com certeza o mais bombástico da carreira da banda. Não por acaso, contou com a Orquestra Filarmônica de Praga nas gravações e o resultado não poderia ter sido melhor.

O estilo das composições encontradas neste excelente “At the Edge of Time” lembra um pouco as do “Nightfall in the Middle-Earth”, porém acrescido de novos elementos proporcionados pela presença da orquestra que deixa o som da banda mais grandioso do que nunca. As músicas são belas, pesadas e intensas.

Logo na primeira faixa, “Sacred Worlds”, já é possível notar o casamento perfeito entre banda e orquestra. Esta é uma musica pesada e épica com instrumental e voz perfeitos. E o mais legal nela é que o ouvinte fica naquela dúvida “o que virá depois?”. Uma das melhores músicas do álbum, com certeza. Esse sentimento de ansiedade sobre o que vem pela frente permeia todo o disco. Ponto para banda que conseguiu compor músicas criativas e inesperadas.

“Tanelorn (Into the Void)”, “Road of No Release”, “Ride into Obsession”, “Control the Divine” e “A Voice in the Dark” são pesadíssimas e possuem algumas das melhores passagens de guitarra que a banda já criou em muitos anos. Assim como Hansi que está em plena forma e voltando a usar tons mais rasgados e agressivos, além das vozes limpas e melódicas, um deleite para os fãs mais saudosistas. Todas muito inspiradas. Tal quais as baladas medievais “Curse My Name” e “War of the Thrones”, que são muito belas, como todas as músicas da banda neste estilo.

A orquestra volta com tudo na ótima “Wheel of Time” com diversas mudanças rítmicas e clima épico, que se mistura com passagens muito velozes e pesadas. Uma música de respeito e que fecha esse grande trabalho com chave-de-ouro.

Se com este “At the Edge of Time” a banda conseguiu criar outro clássico, só o tempo poderá dizer, mas o certo é que com este lançamento o BLIND GUARDIAN volta a ser a principal banda do estilo. Lugar mais que merecido, pois como vimos, estes bardos são inquietos e a todo momento fogem de modas e também do lugar comum, sempre buscando novas facetas e direcionamentos para seu som, sem nunca perder a identidade.  



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14 comentários:

Anônimo disse...

Parabens ao site, eu como fã de Blind Guardian nunca vi resenhas tão bem feitas sobre a banda, continuem assim!!!!

Fabio disse...

Uma resenha muito legal. E apesar de eu achar o Twist in the Myth tão bom (ou melhor) que o Night at the Opera, a única coisa que eu pretendo chamar atenção é que o nome da música é And Then There Was Silence, e não "And Then Was Silence", como está no texto. =)
Parabéns pela dedicação à banda, que é de longe minha preferida!

Anônimo disse...

Excelente trabalho...agora é esperar o Blind vir ao Brasil em 2011, para degustarmos esse novo trabalho na sua verdadeira forma!

Carlos E. Garrido - Café com Ócio disse...

Fabio, muito obrigado por nos alertar sobre o nome da música escrito errado. Já arrumamos ;) Valeu!

E muito obrigado também, a todos que elogiaram!

Stay Metal!

ISRAEL ISHELL disse...

Resenha maravilhosa, só acho que faltou falar dos albuns ao vivo do BLIND GUARDIAN. Como fã fanático do grupo, acho o LIVE, um album absurdamente incrível, quando vou indicar o BLIND GUARDIAN para alguém, falo para ouvir o Somewhere Far Beyond, Imaginations, Nightfall e o LIVE, pois é uma performace excelente do grupo.
Parabéns pela resenha. Deixo um pedido... Crie uma resenha especial sobre o metal Alemão... Falando dos grandes albuns de bandas como Helloween, Scorpions, Kreator, Gamma Ray, dentre outras...

Carlos E. Garrido - Café com Ócio disse...

Realmente, o Live é muito bom. Um dos melhores álbuns ao vivo que já tive o prazer de ouvir. O DVD que lançaram também é muito bom. A parte em que o público fica cantando "Valhalla" é demais!

Israel, pode deixar, seu pedido foi anotado, e num futuro próximo publicaremos uma matéria sobre o metal alemão, que é muito prolifero em boas bandas!

Matheus Sonza disse...

Demais! Blind é realmente uma das maioes e melhores bandas de Metal do mundo.
Porém acho que os àlbuns vem decaíndo em qualidade ao longo dos últimos lançamentos. =(

Carlos E. Garrido - Café com Ócio disse...

Eu acredito que o Blind Guardian veio numa crescente até chegar no "Nightfall", depois decaiu um pouco mesmo. Até porque é difícil se manter sempre melhorando. Mas acho que no "At The Edge of Time" conseguiram retomar o nível de qualidade do qual haviam chegado.

Raul disse...

Não sou fanboy dos caras, mas Blind é uma das poucas bandas que eu posso ficar escutando o dia todo e sei que não vou pular uma única música.

Mesmo nos álbuns mais novos, ainda vejo o som deles como algo único e incrivelmente bem feito. Não acho que a qualidade vem caindo, mas o estilo vem mudando pela própria experiência que a banda tem adquirido. Pelo menos isso evita que o som fique cansativo, como o de outras bandas que acabam lançando sempre o mesmo álbum com outro nome.

Ronnie Powerslave disse...

Concerteza a melhor resenha que ja espalhada pela net estar de parabéns vc observou cada de detalhe de todos albuns perfeitamente como o amigo acima citou faça uma analise do dvd Imaginations Through the Looking Glass um dos discos mais perfeitos que ja vi simplesmente fantastico a interação do publico com a banda nunca vi coisa parecida é de arrepiar

Lörindir Elwë disse...

Sou suspeito a falar do Blind Guardian porque sou fã incondicional!
Comentários excelentes e impecáveis. Só deixo um adendo: A música "Sacred Worlds" do último álbum "At the Edge of Time", é uma referencia direta ao jogo Sacred 2: The Fallen Angel, onde você cumpre uma missão e pode ver o "show" deles no mundo de Ancaria.

Carlos E. Garrido - Café com Ócio disse...

Muito obrigado a todos que comentaram.

Lörindir Elwë, você chegou a ver esse "show" dos caras no mundo de Ancaria? Deve ser muito legal! Eu não cheguei a jogar o Sacred 2, mas o primeiro eu achava legal.

Anônimo disse...

Muito boa a resenha, descreveu muito bem sobre a banda, Blind Guardian e minha banda favorita não só pelo estilo musical mas tambem pelas letras compostas baseadas nas tambem minhas obras favoritas..pois ainda não encontrei nenhuma outra banda q consilia letras medievais tão perfeitamente com o som e a voz! O Hansi realmente tem a voz perfeita para esse estilo musical!

Anônimo disse...

O autor cita que o "A Night at the Opera" não possui nenhum clássico em potencial. Eu discordo: possui pelo menos 1. "And Then There Was Silence" é a melhor música da banda, superando, na minha opinião, canções do quilate de "Curse of Feanor" ou "Mirror Mirror".

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