A polêmica lei das palmadas

31 de jul de 2010


Quem é que nunca levou uns tapas dos pais quando era criança? Aposto que a maioria de nós já apanhou, ficou de castigo e muitas outras punições desse tipo. Acredito ainda que quem já é pai, faz o mesmo com seus filhos e os que ainda não são, tem a intenção de fazer também. Porém, agora nossos políticos fanfarrões criaram um projeto de lei que proíbe esse tipo de ação dos pais contra seus filhos pentelhos. Era só que faltava, hein?

O fato é que não vejo motivo para esse tipo de lei. Claro que ninguém aqui está defendendo nenhum tipo de espancamento ou crueldade sem limites contra os pirralhos. Mas umas boas palmadas e uns beliscões corretivos não fazem mal a ninguém e muito menos deixam sequelas emocionais para o resto da vida. Falo isso por experiência própria.

Em minha infância, eu e meus irmãos sempre levamos esse tipo castigo de nossos pais. Era só fazer alguma besteira e já vinha minha mãe com uma das mãos levantadas (com ou sem empunhar um chinelo) e pronta para nos ensinar o certo e o errado através de alguns tapas. Doía? Claro que doía, mas a gente entendia que estava fazendo coisa errada. Afinal, na base da conversa é bastante difícil corrigir uma criança no auge de sua sapequice. Se tiver sorte, você pode até conseguir sentar e conversar com ele, mas vai entrar por um ouvido e sair pelo outro, bem provavelmente. Então o que sobra é corrigir na base da força, mas lógico, é preciso maneirar nas palmadas. Lembre-se que é só para mostrar que a criança está errada e não para descontar sua raiva ou para ser cruel.

Apesar de ter apanhado quando era um gurizinho, estou aqui firme e forte. Não tenho nenhum tipo de problemas para falar sobre isso e me lembro até com alegria dos momentos em que saía em disparada pela casa para tentar fugir da ira corretiva de minha mãe. Hoje, acredito ser uma boa pessoa e tenho profundo respeito por meus pais e não algum tipo de rancor pelas palmadas que sofri.

Em recente pesquisa feita pelo Datafolha e publicada no jornal Folha de S.Paulo e também pelo seu site, Folha Online, a maioria dos entrevistados concorda comigo de que não faz mal apanhar dos pais quando criança. Segundo os dados da pesquisa, 54% das pessoas são contra o projeto de lei e os outros 36% concordam com essa mudança. Apesar da diferença grande, achava que o número de pessoas contra a lei seria ainda maior do que o revelado pelo Datafolha.

Depois da lei das palmadas, você acha que o que nosso governo não tem mais nada pra inventar, eis que é criado o “Estatuto de Torcedor”, que servirá para apoiar os bons amantes do futebol. Nele, cambistas e torcedores briguentos devem ter reais problemas com a polícia e devem pagar, de verdade, pelos seus crimes. Até aí, tudo plausível, porém nesse mesmo estatuto está previsto que torcedores não poderão falar palavrão no estádio. Como assim não poderão falar palavrão no estádio? É praticamente impossível alguém assistir um jogo de futebol e não xingar o juiz, o técnico ou mesmo os jogadores. E nem precisa ser um xingamento contra alguém especificamente, pode ser simplesmente um grito de “pontequepartiu” quando acontece uma bela jogada ou quando o atacante perde um gol feito.

É como já ensinava minha saudosa professora Dona Sônia, na longínqua quarta série do ensino fundamental: “Se quer falar palavrão, vá pro campo assistir um jogo do XV”...  

E com essas sábias palavras, termino aqui mais um texto. Mas gostaria de saber a opinião de vocês sobre essas leis. Concorda, discorda, e aí, o que me diz?


PS: e pra piorar quando escrevi “xingar” o glorioso Word queria trocar a palavra por “falar mal”...


8 comentários:

Paulinha disse...

hahahaha é mta hipocrisia, né? o mundo como está hj em dia, cheio de violência, aonde as pessoas saem com medo de serem assaltadas ou até assassinadas (e corre o risco de serem assassinadas até por policiais "sem querer") e os caras criam essas leis ridiculas!!
pq ao invés de nao poder xingar no campo, nao mudam com as leis de palhaçada nesse país? onde um réu primário passa poucos anos na cadeia e se tiver bom comportamento, está solto... esses tempos agora msm... um assassino maluco q tinha matado a esposa gravida... se "comportou bem" na cadeia e foi solto... matou mais outras pessoas, inclusive uma menina de 14 anos... e aí? agora ele tem q ser preso de vdd? da outra vez era só uma brincadeira? rs..
esse país é uma comédia... e se vc nao puder ser PAI e MAE e poder ter autoridade, respeito de seu filho... vai piorar cada vez mais...
nao é para ninguem espancar ninguem, mas sim, de vez em qd uma palmada nao faz mal nenhum... nossa geração levou palmadas e nao vejo ninguem traumatizado.. traumatizado fica aquele q nao teve educação de vdd, que foi desprezado, humilhado pelos pais...
enfim... esse país é uma comédia de mal gosto! rs

Carlos Eduardo Garrido disse...

Exatamente, os políticos deveriam se preocupar mais em criar leis mais intensas contra a criminalidade e não contra coisas fúteis como as que estão criando.

Realmente esse país é um comédia e daquelas bem sem graça nenhuma. Fazer o que, né?

Raul disse...

Penso que deixar esse assunto na mão de teóricos e especialistas é como deixar o Vaticano definir alguma coisa sobre sexo: Gente que não faz idéia do que ta falando quer decidir sobre algo que afetará vida de todos.
Pensam que a educação de uma criança é algo tão simples que pode ser resumido a uma gigante caixa de Skinner, em que a criança, depois de recompensada por um bom comportamento, irá repeti-lo eternamente.
Esse tipo de projeto tem o mesmo problema de boa parte das nossas leis: Muitas foram elaboradas em cima do trauma pós-ditadura, então todos estavam tão preocupados em dar garantias e evitar restrições de direitos, que as vezes chega a dar a impressão de que esqueceram de dar obrigações e responsabilidades. Basta ver como é difícil punir nossos políticos pra confirmar isso.
Com esse projeto das palmadas, é a mesma coisa: Pensam tanto nas crianças que são espancadas e maltratadas, que generalizam e tiram de todos os pais algo que as vezes é necessário durante o processo educacional.
Se o próprio Estado precisa ter leis punitivas e a força policial para garantir que todos cumpram a lei, os pais não podem ser proibidos de dar algumas palmadas quando necessário.
Claro que ninguém é a favor de uma “Educação Joseph Jackson”, mas só vou acreditar nesse tipo de projeto quando torcidas organizadas deixarem de brigar simplesmente porque a polícia disse que ficaria muito chateada se eles fizerem isso.

Paulinha disse...

eu acho q o Raul deveria escrever alguns artigos aqui tb!!!!
ótimo comentário!

Carlos Eduardo Garrido disse...

Belo comentário Raul.

Generalizar nunca é algo bom e se torna ainda pior se isso acontecer por parte daqueles que comandam o país. Pais que "educam" cruelmente seus filhos, obviamente, devem ser punidos pela Lei, mas tirar o direito de todos os pais de educarem seus filhos usando de algumas palmadas quando for preciso, é complicado.

Carlos Eduardo Garrido disse...

Paulinha, qualquer um dos meus projetos sempre esteve (e está) aberto à contribuições do Raul, é só ele querer. Acredito que ele sabe disso.

Raul disse...

Não sou muito bom em escolher temas para escrever, mas se de repente tiver uma idéia, mando um texto sem problema algum. Durante esse semestre vou ter que escrever varias redações, se alguma delas tiver um tema interessante, posso mandar para o blog.

Carlos Eduardo Garrido disse...

Isso, caso escreva alguma coisa, manda pra gente!

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