Games causam violência?

19 de jun de 2010



Na revista SUPER INTERESSANTE desse mês, saiu um artigo falando sobre a “falsa ciência que criminaliza o videogame”.  No texto escrito pelo doutor em psicologia clínica e professor da Texas A&M International Univesity, Cristopher J. Fergunson, diz que a maioria dos estudos nesse sentido nem sequer analisam agressões físicas – os testes são feitos com estouros de balões e preenchimento de letras em palavras, para ver no que estavam pensando. Isso sem falar em pesquisas direcionadas para que o resultado seja em favor da tese, mesmo que a coisa não seja bem assim. Como no exemplo dado pelo próprio autor em que ele descreve um estudo publicado em 2000 nos EUA. Nele, alguns jovens ouviam um barulho que era detonado por outro competidor quando perdiam um jogo. Para ver se algum deles se irritaria foram usados quatro métodos diferentes. Apenas em um deles a tal irritação deu as caras. Então, os pesquisadores se apoiaram nesse único método para explicar a tese, deixando de lado os outros três em que o resultado foi negativo. Bacana, não?

A matéria ainda trás alguns outros dados, como por exemplo, que mesmo se esse tipo de pesquisa falha fosse levada à sério – como muitas vezes é – os resultados mostrariam que os games causam um aumento entre 0 e 2,5% na agressividade. O que é muito pouco, praticamente irrelevante. Usando as palavras do próprio Fergunson: “...no debate sobre a violência, um lado defende que o efeito dos jogos é nenhum, e o outro defende que é quase nenhum”. Mesmo que muitos ainda queiram levar adiante a idéia de que videogame torne as pessoas mais agressivas. Pelo jeito o difícil vai ser alguém conseguir comprovar essa tese com estudos sérios.

Por experiência própria digo que vai ser impossível provar que os games deixam as pessoas mais agressivas. Porque simplesmente eles não deixam. Eu mesmo, jogo videogame a muitos e muitos anos, desde a época em que o ATARI era novidade e desde então nunca deixei de jogar e fui acompanhado a evolução, tanto dos consoles quanto dos jogos. Passei por SUPERNINTENDO, NINTENDO 64, PLAYSTATION I e II. Só não tive o III por questões financeiras de prioridade de gastos. Isso sem contar os tantos games que joguei via PC. E francamente sou uma das pessoas mais tranqüilas que conheço. E o mesmo se enquadra em muitos amigos que também sempre gostaram de segurar um joystick (uiii) e nunca se meteram numa briga sequer.

Mas também tive muitos amigos que sempre jogaram videogame e são bem mais cabeças-quente, mesmo que não propriamente agressivos. O que mostra que os jogos nada têm a ver com isso.

O que torna uma pessoa mais ou menos agressiva que outra é a personalidade de cada um, a forma como foram criados e como é seu relacionamento com familiares e amigos. Entre muitas outras causas psicológicas e de experiências de vida, que Freud já dava explicações há muitos e muitos anos atrás.

Mesmo que vez por outra apareça nos telejornais um caso em que um adolescente matou alguns colegas e a culpa foi colocada nos games que ele costumava jogar. Ainda que a culpa não fosse, de fato, do videogame, compare o número de casos assim e o número de assassinatos de qualquer outra natureza (que a responsabilidade não seja jogada em cima dos games) e veja qual o resultado. Esses casos são muito raros, em contrapartida o caso dos que não jogavam videogame e tem comportamento agressivo são milhares de vezes maiores.

E outra, se os jogos são violentos – veja bem que são os jogos e não os jogadores – os filmes também são, assim como a televisão como um todo, que mostra jornais cheios de crimes e outras barbaridades. Querer colocar a culpa de alguma coisa sobre os games é algo muito leviano. Antes deveriam rever a falta de educação dada nas escolas e também os conceitos sobre a programação televisiva que não ensina nada que preste as crianças e jovens. 

7 comentários:

Paulinha disse...

aaaah é a mesma coisa de falar q desenhos da Disney incitam violencia...
gente que mata os outros por causa que assistiu o Rei Leão pra mim é um psicopata louco que usou apenas um pretexto...
igual para video games...
eu assisti todos os desenhos da Disney, game sempre vi os violentos ao lado dos meus irmãos, pois sempre preferi Mario e etc...rs.. e nunca matei ninguém ou cometi algum ato de violência...
acho que pode sim influenciar um pouco na fantasia da criança mas acho que n justifica um determinado ato... acho que isso já vem da cabeça do individuo...

Carlos Eduardo Garrido disse...

Realmente é o mesmo caso dos desenhos da Disney e de tantas outras coisas que levam a culpa injustamente em diversos casos.
Tanto os games quanto filmes e desenhos podem sim influenciar a imaginação da criança, mas não torná-los violentos.

Arquimago disse...

Só o game não torna algum violento isso é fato, o ser humano é muito complexo para algo tão ligado ao nosso cotidiano fazer isso.
Acho que mais um reflexo da era dos extremos e do medo da modernidade, o medo da próxima mudança, uma tentativa fútil e alguns em tentar controlar tudo...
Ou falta de reflexão e embasamento de estudo, sendo nada mais um achismo vazio quem fala que games deixam as pessoas mais violentas...
As guerras que alguns governos não seriam muito mais influenciadores quando passam nos jornais?
Afinal o game é de mentira, e o jovem, a criança sabe, as guerras não, e muitos se orgulham de ter ido lá e "destruído o inimigo" outros seres humanos...

Raul disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Raul disse...

Esse tipo de pesquisa só continua sendo divulgada porque é muito mais fácil para as pessoas acreditar que os problemas da sociedade são causados por grandes "inimigos públicos", como jogos, filmes, música e grandes empresas que usam mensagens subliminares pra perverter a juventude.

Não seria muito mais fácil educar os filhos se jogar fora seus jogos, filmes da disney e discos da xuxa resolvesse todos os problemas? Digo, meu filho é agressivo porque passa muito tempo atirando em alienigenas ou pulando na cabeça de cogumelos, nem vou cogitar a possibilidade dele estar tendo dificuldades na escola ou em se relacionar com as outras pessoas.

Claro que essas pesquisas furadas e conversa mole também ajudam muito o trabalho de advogados, afinal, o cliente dele matou 15 pessoas por influência do Duke Nukem, não porque tem problemas psicológicos graves.

No fim, não deixa de ser uma versão moderna da caça as bruxas, em que se cria inimigos imaginários pra tentar resolver problemas reais. Os jogos só acabam sendo a "bola da vez" porque ainda são uma área que os pais e educadores não tem muito conhecimento, o que facilita muito a criação de mitos e lendas a respeito do tema.

Carlos Eduardo Garrido disse...

Arquimago, com certeza as guerras deixam as pessoas muito mais violentas do que os games. Afinal, como você mesmo disse, nas guerras o inimigo é uma pessoa igual aquele que o matou.

Carlos Eduardo Garrido disse...

Raul, é isso mesmo. A imprensa, ou seja lá quem for, vive criando essas novas bruxas para colocar a culpa ou tentar explicar os erros das pessoas. Parece muito mais cômodo jogar a culpa em cima de fatores externos ao invés de descobrir o real problema que causa esse transtorno nessas pessoas. Pois os games nada tem a ver com isso.

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