Esperando o tempo passar

23 de jun de 2010


As pessoas ao redor do mundo vivem esperando os ponteiros do relógio fazerem seu serviço. Quando crianças, não vêem a hora do tempo agir para que se tornem adultos para que possam trabalhar, ter sua própria vida e seu próprio dinheiro. Quando adultos, torcem para que as horas passem rápido para que o expediente chegue ao fim. Depois querem que o tempo voe para que o fim de semana venha depressa. Sábado e domingo passam sem  você sequer possa notar. Então começa outra vez a maratona de esperar o tempo passar para completar mais um dia de serviço, mais outro dia e outro e outro, até que a semana novamente acabe e depois comece tudo novamente. Aí chega um momento em que acabar a semana já não é mais suficiente. Como o dinheiro é curto, esperam ansiosamente para que o mês acabe e tenham novamente o salário depositado em sua conta bancária.

Além da rotina temporal de esperar dias, semanas e meses, pura e simplesmente, resolvem fazer algo diferente. Como uma faculdade por exemplo. Mal começam os estudos e  logo passam a desejar que as férias cheguem. Depois, também começam aguardar ansiosamente que se passe os quatro ou cinco anos em que o curso se estende para se formarem logo. E claro, isso não acontece apenas com a universidade, mas com qualquer outro curso em que se metam a fazer.

Estudos concluídos (ou não) resolvem comprar um carro. No mês seguinte já começa a contar os meses que faltam para quitar todas as prestações do automóvel. A mesma coisa acontece com uma casa. A pessoa mal passa a morar lá dentro (em alguns casos nem está morando ainda) e já está contando os anos que faltam para terminar a divida. E nesse caso, provavelmente, serão muitos anos... E assim é o procedimento para qualquer outro bem adquirido em várias vezes. O cara está louco para ter seu novo notebook, e como é um mero trabalhador (como eu e você)vai até a CASAS BAHIA e compra o danado em 17 vezes. Maravilha! Mas aí vemos o quanto demora para passar esse, quase, um ano e meio. Então, lá está ele, mais uma vez, torcendo para que o tempo corra depressa para ele acabar logo de pagar esse e comprar um novo. Já que depois de 17 meses ele já vai estar ultrapassado. 

O homem, em geral, vive esperando o tempo passar. Mas será que a vida é apenas isso? E o que fazer para que a vida seja, de fato, aproveitada e para que não sejamos apenas espectadores do tempo? A solução é difícil dizer e pode ser diferente para cada pessoa. Entretanto, no geral, acredito que se deva ocupar o tempo fazendo coisas que lhe sejam agradáveis e assim usar o tempo a seu favor.

No trabalho: seja produtivo. Por mais que às vezes ficar parado ou enrolar (para esperar a hora passar) possa parecer a melhor opção, não é! Já que você está lá mesmo, produza, use seu tempo. Quando estiver livre fique com as pessoas que lhe agradam. Aproveite sua namorada ou seus amigos.  Leia livros que lhe interessam, ouça suas músicas prediletas. Adquira conhecimentos! Crie! Leia esse blog! Faça qualquer coisa que seja aproveitável. Não fique o tempo todo jogado no sofá assistindo o programa do Datena, esperando o dia acabar para o amanhã chegar e começar toda a espera de novo. Esperar a hora do almoço, esperar o fim do expediente, esperar a noite, esperar... esperar... esperar...  

5 comentários:

Raul disse...

"Time what is time / I wish I knew how to tell you why / It hurts to know Aren't we machines".

Infelizmente, o tempo foi transformado em algo que escraviza o próprio homem que o criou. A melhor coisa a se dizer a respeito do tempo é que temos muito pouco, de modo que é bom sempre parar pra pensar se ele está sendo bem aproveitado.

O problema é que as vezes passamos tanto tempo amarrados ao passado ou tentando vislumbrar o futuro, que nem nos damos conta do presente. Acho que uma das melhores imagens que me vem a cabeça para representar isso é o final do filme As Crônicas de Nárnia. Sempre acabo frustrado quando vejo que os protagonistas venceram uma guerra, viveram toda uma vida, e no fim acabam voltando a ser crianças, como se nada daquilo tivesse acontecido.

Acho que é isso que muitas vezes acabamos por fazer com nosso tempo. Tantos planos, tanto tempo vislumbrando como será a época da faculdade, depois de formados, depois de casados, que nem nos damos conta de viver o presente.

Bom, acho que já fui longe nisso. Devem ser as dorgas...

Carlos Eduardo Garrido disse...

Muito bom seu comentário, Raul. É isso mesmo o que acontece, passamos tanto tempo imaginando como vai ser e o que faríamos que acabamos deixando o presente ir embora, sem nos darmos conta disso e que não o aproveitamos corretamente.

PS: essa música do Blind Guardian é do baralho!

Carlos Eduardo Garrido disse...

O que complica não é a pessoa entender que está desperdiçando seu tempo. O grande problema é ela colocar isso em prática, o que muitas vezes requer uma mudança no estilo de vida. Concorda?

Raul disse...

Acho que a parte mais difícil é admitir que a vida está "errada". Desde uma escolha mais simples, como "preciso fazer exercícios", até as mais complexas, como uma mudança na carreira profissional, iniciar ou terminar um relacionamento, creio que a parte mais difícil é aquela em que se começa a comparar dois futuros paralelos, um com a mudança em questão, outro seguindo conforme o o estado atual das coisas.

Por mais que muitos digam que não ligam para a opinião alheia, não da pra escapar de pensamentos como "se eu realmente fizer isso, o que as pessoas irão pensar?" ou "será que não da mesmo pra deixar as coisas como estão?", "será que ainda tenho idade pra resolver fazer isso agora?", "se eu mudar agora, será que tudo o que fiz até então foi inútil?". Creio que a parte mais difícil seja superar essa grande barreira de dúvidas e se manter firme na idéia inicial. Feito isso, o que vem pela frente parece ficar muito mais fácil.

Em síntese, acho que a dificuldade não está realmente em colocar as coisas em prática, mas em conseguir o movimento inicial de mudança.

Carlos Eduardo Garrido disse...

Realmente Raul, talvez o mais complicado seja admitir que a vida esteja "errada". Mas muitas vezes, mesmo que a pessoa consiga ter essa consciência, o comodismo o impede de mudar algumas coisas.

A opinião alheia também acaba sendo um fator determinante nesses casos. Pois querendo ou não, ela acaba pesando na decisão das pessoas. Sempre ficam com medo do que vão pensar ou dizer à seu respeito.

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