A Estrada da Noite

16 de ago de 2010



“A Estrada da Noite” (Heart Shaped Box, no original) é o primeiro livro de Joe Hill, na verdade ele havia lançado um livro de contos antes, chamado “Os Fantasmas do Século XX”. Apesar de ser filho do mestre do horror Stephen King (fato que só descobri depois de ter lido o livro), Joe não usa o sobrenome do pai em suas publicações para não revelar sua identidade e tentar trilhar seu próprio caminho na literatura, sem depender da fama paterna. Atitude plausível do jovem escritor. Mas independente disso, parece que os genes, tanto da escrita, como do horror, do pai estão presentes em Joe Hill, o que fica claro neste livro, que em pouco tempo entrou na lista dos mais vendidos no “New York Times”.  

O livro conta a história de Judas Coyne, que foi um famoso astro do rock durante muitos anos, mas que hoje, já na faixa dos 50 anos, vive curtindo as regalias e conforto provenientes de sua fama numa bela e tranquila casa.  Tudo muda quando uma oferta chega até sua caixa de e-mails. Nela, um fantasma e seu paletó estavam sendo vendidos. Como todo rockstar que se preze, Jude tinha uma coleção de objetos macabros, como caveiras, filmes de terror, receita para canibais e outras tantas e imagináveis quinquilharias relacionadas ao ocultismo. Então, mais do que depressa achou que comprar um “fantasma” para sua coleção seria um grande negócio e logo ordenou para que seu empresário efetuasse a compra.

Não demorou para que o correio lhe trouxesse a encomenda. O paletó veio dentro de uma caixa em forma de coração e a principio não parecia nada demais, apenas uma roupa velha. Até que dias depois o fantasma resolve dar as caras e ele vem com muita sede de vingança. Na verdade, ele é o fantasma de Craddock, pai de uma antiga namorada que depois do fim do relacionamento com o roqueiro se suicidou. Motivado pela morte da filha, tem início uma aterrorizante caçada para atormentar e matar Jude e sua nova namorada, a gótica Marybeth. Mas isso é só a ponta do iceberg, muitas outras coisas vão se revelar com o decorrer da história.   

Joe Hill tem uma forma ágil de narrativa. Apesar de construir muito bem as cenas na mente das pessoas durante a leitura, ele não perde tempo com enrolações. Tanto que não é nada difícil imaginar uma adaptação para o cinema, já que o time dos acontecimentos lembra o estilo hollywoodiano. Os próprios personagens não são conhecidos logo no inicio do livro, suas personalidades vão se revelando e se construindo melhor para os leitores ao longo das páginas, conforme as coisas vão acontecendo.

O autor consegue deixar o leitor em constante tensão para novas aparições do fantasma, que fica indo e voltando para desespero do roqueiro cinquentão. Depois de um momento de calmaria, ele retorna e com ele a tormenta volta à tona. Fazendo o clima de suspense permear por toda a leitura. E sempre que ele volta, com ele vem muitas cenas de deixar os mais desavisados sem dormir a noite. O que soma pontos importantes a favor deste “A Estrada da Noite”.  

Para quem gosta de livros de horror, “A Estrada da Noite” é uma grande pedida, pois trás ar fresco para um estilo já saturado e que ultimamente só falam de vampiros. E, além disso, sua leitura flui fácil e a sensação constante de “o que vai acontecer agora?” quase te obriga a querer ler mais e mais.

Se Joe Hill mantiver o nível aqui alcançado ao longo de sua carreira, pode conseguir igualar o feito de seu pai e se tornar um dos grandes autores do estilo. Apesar de que Stephen King no meio de sua grande quantidade de livros, acaba errando muitas vezes e criando obras que destoam de bibliografia. Mas em compensação quando acerta, é pra criar clássicos, como “O Iluminado”, “À Espera de um Milagre”, “It – Uma Obra Prima do Medo”, “Cemitério Maldito” entre tantos outros. 

2 comentários:

Paulinha disse...

é o filho do Stephen King que escreveu esse livro?
pelo visto gosta do lado "sombrio da força" como o pai... rs
depois vc tem que fazer resenha do livro que eu te dei do Ozzy! :)

Carlos Eduardo Garrido disse...

É sim, é o filho do Stephen King, mas só descobri isso depois que já havia lido o livro inteiro. Sim, ele gosta das sombras, assim como o velho Rei Estéfano, mas a escrita de ambos é diferente.

O pai gosta de fazer longas introduções dos personagens na história para você os-conhecer bem, depois é que a história começa a andar de fato. O filho é mais direto, pelo que pude notar em "A Estrada da Noite".

E pode deixar que, com certeza, farei uma resenha do "Eu Sou Ozzy"...uhauha Mas ainda não acabei de ler ele. Mas tô gostando bastante. Obrigado pelo presente, Nina :)

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